Jornada do Sorvete: Edição comemorativa é encerrada com cerca de 300 participantes

A Jornada do Sorvete 2019 foi marcada por muita troca de informações, negócios e apresentação de tendências. Realizada nesta quinta e sexta-feira no Weiand Hotel, em Lajeado, reuniu cerca de 300 pessoas, as quais acompanharam as abordagens de seis palestrantes e estabeleceram contato com os lançamentos e as tendências de 41 fornecedores de tecnologias e matérias-primas. O evento é um marco na trajetória da Associação Gaúcha das Indústrias de Gelados Comestíveis (Agagel), que neste ano completa duas décadas de atuação. O momento foi celebrado num jantar na noite de ontem, marcado por homenagens aos ex-presidentes da entidade e show de humor com Paulinho Mixaria.

No dia de hoje ocorreram três palestras, fechando o cronograma técnico iniciado ontem pela manhã. Com assuntos variados e de amplo interesse, as abordagens ajudam no entendimento da legislação e inspiram os empresários a inovar. A primeira palestra foi com Marta Pierina Verona esclarecendo que o eSocial nada mais é do que a forma como se elabora, cadastra e transmite os dados sobre os empregados. Segundo ela, trata-se de um modelo dinâmico que desde a sua concepção traz novidades e mudanças diárias. A mais recente delas é a Medida Provisória (MP) 881/20019 aprovada nesta quinta-feira pela Comissão Especial da Câmara que prevê a extinção do eSocial dentro de 180 dias. De acordo com Marta, o texto busca uma simplificação dos processos, sendo que os dados passarão a ser enviados por meio de dois sistemas com nomes e leiaute novos: o primeiro concentrará informações trabalhistas e previdenciárias e o segundo aquelas relativas à Receita Federal. Porém, ela alertou que ainda não se pode declarar o fim do eSocial, pois a MP perderá a validade se não for votada até 10 de setembro. “Sendo eSocial ou os outros dois sistemas, não muda nada a forma como precisamos nos adaptar e preparar”, afirmou. A profissional acredita que nos novos programas serão utilizadas a mesma estrutura e dados do sistema anterior, o que indica que o trabalho feito até o momento não será perdido, mas projetou: “Acho que vamos ter várias melhorias e vocês serão impactados nas informações que precisam passar para os escritórios de contabilidade”. Marta ainda abordou obrigações acessórias futuramente substituídas, pontos críticos e fiscalização.

O conhecimento mundial de sorvetes foi compartilhado pelo espanhol radicado no Brasil, Carlos Tarrasón. Na palestra sobre o futuro do setor ele destacou aos empresários que existem muitas oportunidades, mas advertiu que o mercado está mudando. Ao apresentar referências de empresas de sucesso no Brasil e nos Estados Unidos, observou que existem cinco tendências em âmbito mundial muito fortes: qualidade; saudabilidade; sensorialidade e prazer; conveniência ; sustentabilidade e ética. Por ser um produto de consumo para prazer, a propensão de sensorialidade é muito forte no sorvete. Mas também a de qualidade e saudabilidade, revelando desafios a quem produz. “Antes, as empresas lançavam produtos numa parte ou outra.  Mas agora o consumidor quer tudo, produto gostoso, que dê prazer, com qualidade e também saudável. Se conseguir fazer isso, terá crescimento rápido, só que isso não é fácil”, admitiu.

Tarrasón também salientou que as pessoas querem consumir com sentido e se identificar. “Então não estamos falando tanto de marca, mas de identidade”, disse. Sugeriu que tal relação se constrói em três níveis: com ingredientes diferenciados, ou com uma história para contar, ou então proporcionando experiências, seja de diversão, gastronomia, entre outras, fruto da criatividade de cada organização.

Manoel Vasconcelos Lima encerrou a grade de atividades técnicas com o case da Dona Nuvem, uma marca fundada em 2017 com a proposta de ser lúdica combinando sabores inusitados de sorvete com experiências de loja e interação com clientes. Trabalhando em marketing há mais de 15 anos, ele pegou um pouco da expertise na área e lançou uma proposta que vai além da compra por impulso e entrega mais do que sorvete, sempre brincando com o conceito de nuvem. “A Dona Nuvem te propõe fazer um resgate da memória afetiva com sabores encantadores que te dão a sensação de tocar o céu”, descreveu. Com duas lojas em São Paulo e uma em Belo Horizonte, Lima comentou que teve de superar dois grandes desafios. O primeiro foi fazer o cliente entender que se trata de um produto natural, leve, sem aditivos químicos e limitado a quatro sabores – dois fixos e dois que mudam a cada 15 dias -, e o segundo foi conseguir a aceitação da linha soft, supostamente de menor qualidade. Ao detalhar como surgiu marca, produto e público, bem como questões relacionadas a atendimento e ponto de venda, ele ressaltou a importância de ouvir e praticar os desejos dos clientes, fazendo com que se sintam parte da loja e do projeto como um todo.

Visão dos sorveteiros
Dedicado à melhoria dos negócios de quem produz sorvete, o evento cumpre com seus objetivos. Além de prestigiar e esclarecer dúvidas nas palestras, os sorveteiros percorreram os estandes dos expositores para fazer negócios. A Bom Gosto tem fábricas em Porto Alegre e Salvador (BA) e conclui que a edição valeu a pena. “A Jornada é sempre muito proveitosa. Conhecemos muitos fornecedores diferentes e temos opções pra gente decidir as inovações que vai aplicar na empresa”, avaliou o proprietário, Gilberto da Rocha.

Para o CEO da Sorvetes GUT, Gian Lisboa, a Jornada é estratégica para nortear as ações da temporada. A empresa de Candelária participa do evento com o objetivo de renovar contatos, ver tendências e o que os fornecedores trazem de inovações. “Essa troca com eles é muito importante, considerando visões de fora do RS e do Brasil que a gente também tem que ter”. A GUT fechou negócios na Jornada, entre os quais a compra de maquinário para automatizar e incrementar sua produção com pedaços de frutas.

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